Trinta e poucos anos, desajeitado,
ligeiramente gago. Barba de vários dias,
um passo miúdo que lhe da um ar
um pouco caricato.

     
  Ligeiramente mais velha do que EU.
Elegante, sofisticada, sedutora, neurótica.
Um olhar que se define a cada momento.

     
  Ex-antropóloga. Vinte e seis anos.
Bonita sem o ser.

     
  Trinta e qualquer coisa, sem busto, feia, óculos.
Espalhafatosa e esganiçada.

       
  Quarenta anos. Gordo, cabelos longos,
terno e gravata. No papel do Desconhecido,
cabeça raspada.

       
  Uma cicatriz tal qual uma gravata pespontada da
tireóide ao umbigo. Voz surpreendemente feminina.
Cheio de anéis e pulseiras,
um medalhão de ouro no peito.

       
  Col roulé, fuma sem parar, emendando um cigarro no
outro. Um nariz longo demais
para o rosto de traços regulares.

       
  Os cabelos longos, à parte as raízes brancas,
parecem ter mergulhado num balde de asfalto. Avô do
menino da cabeça raspada e da menina da cabeleira.