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Raramente encontramos roteiristas que adaptam bons livros com sucesso e, no caso do original já se constitutir em uma obra de arte, normalmente não existe espaço para um aprimoramento do material. ESTORVO é uma fantástica exceção à regra. Adaptado de um excelente livro, o roteiro além de ser bem realizado em cada detalhe, consegue ter uma narrativa comparativamente melhor do que o original. Trata-se de uma verdadeira peça existencialista, e, como tal, incrivelmente poderosa. Nunca perdemos de vista o personagem principal e seu pesadelo possui elementos que todos nós já experimentamos de uma forma ou de outra. É muito importante que filmes como ESTORVO sejam feitos agora e sempre, para que nos lembremos de algumas coisas fundamentais que dizem respeito à nossa breve temporada nesse planeta. O existencialismo ainda é uma das mais cruciais disciplinas filosóficas contemporâneas e, como tal, requer peças representativas - artísticas ou acadêmicas - para nos lembrar de sua importância. Nos anos 90, nada foi produzido neste setor, e ESTORVO poderia ser uma resposta a isso. Ao mesmo tempo, ouvimos constantemente que o Brasil está destinado a um importante papel no panorama mundial no próximo milênio, e acredito que uma boa parte das pessoas estaria interessada em conhecer melhor a cultura desse país. ESTORVO é um retrato extremamente preciso do Brasil contemporâneo - uma nação onde - como na maioria dos países do Terceiro Mundo - a vida é tristemente barata, e viver é uma constante experiência existencialista.. Um bom roteiro é um bom roteiro - não importa que seja tradicional ou alternativo - e este é um roteiro extraordinário. As cenas são solidamente estruturadas e o enredo se move de uma forma muito consistente. Tenho visto poucos roteiros tão felizes ao traduzir um conceito para imagens - no caso de ESTORVO, o absurdo da vida . Resumindo, o roteiro está a poucos passos de se tornar uma obra de arte. {roteiro - trechos do parecer} |
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