Marília Pera, por
vários motivos, é considerada a artista mais versátil e completa do país. Como atriz de cinema, teatro e tv,
exibe uma presença magnética em cena, e seu admirável poder de concisão está aliado a um timing perfeito -
seja em dramas, comédias ou musicais.
No cinema,
teve atuações marcantes em filmes como O Rei da Noite (de Hector Babenco), Bar Esperança (de Hugo Carvana),
Anjos da Noite (de Wilson Barros) e Dias Melhores Virão (de Carlos Diegues). Sua hipnótica interpretação da prostituta
Sueli em Pixote, lhe rendeu vários prêmios internacionais, como o de melhor atriz pela Sociedade Nacional de Críticos
dos Estados Unidos. Impressionado com sua atuação em Pixote, o diretor americano Paul Morrissey, principal
colaborador de Andy Warhol, a convidou para viver a matriarca de uma família de marginais latinos em Mixed Blood.
Sua longa trajetória na TV foi
marcada por sucessos em novelas como O cafona, Bandeira 2, Uma rosa com amor, Super Manoela, Brega e Chique, os
seriados Quem ama não mata e Primo Basílio, além de programas como Viva Marília e Planeta dos Homens. Em O campeão,
sua última novela (Tv Bandeiratnes) Marília Pera interpreta uma cantora lírica.
Entre os seus
vários sucessos no teatro estão A vida escrachada de Joana Martine e Baby Stampanato, Apareceu a Margarida,
Fala Baixo Senão Eu Grito, Doce Deleite, Brincando em Cima Daquilo. Atuou também em musicais e revistas: My
Fair Lady (como dançarina), Ópera dos Três Vinténs, A Pequena Notável, De Cabral a JK, A estrela Dalva e Elas
por elas. Como produtora e diretora, assinou, entre outros espetáculos, O mistério de Irma Vap, um dos maiores
sucessos do teatro brasileiro.
Em fase de
retomada do cinema brasileiro, Marília Pera atuou em Jenipapo, de Monique Gardenberg, e Tieta, que marca sua
segunda parceria com Carlos Diegues, depois do bem-sucedido Dias melhores virão. Depois de intepretar a austera
Perpétua, Marília Pera prepara-se para viver o glamour de Maria Callas, na peça Master Class de Terence McNally,
um dos maiores sucessos da Broadway dos últimos anos. Luxos de diva.

Perpétua é uma personagem fundamental em Tieta -
foi ela quem a denunciou, provocando a sua expulsão da cidade. Como você a define?
Eu acho que Perpétua é uma mulher que sofreu muito
na infância. Ela teve um pai terrível que odeia as filhas e que tem uma acintosa preferência
pela Tieta. Perpétua não teve o afeto do pai, a mãe morreu cedo, e de uma certa forma, ela
ficou responsável por aquela família. Apesar de ser muito seca, ela teve um casamento, amou
um homem e foi amada por ele, e tudo indica que teve uma vida sexual muito intensa.
Depois que fica viúva, colocou todas as esperanças nos filhos. De uma certa forma, este
afeto passa pelo dinheiro. Procurei fazer uma Perpétua com olhos mais humanos, ela não é
uma bruxa. Eu perdoei a Perpétua.
Você viu a novela?
Na época não, mas no dia que o Cacá me chamou liguei a
televisão e vi um capítulo em que inclusive aparecia a Joana Fomm.
Mas vendo ou não a novela, o resultado seria completamente diferente, porque eu
e a Joanna Fomm somos atrizes completamente diferentes.
Você se inspirou em algum personagem para compor Perpétua?
Acho que ela tem uma força dramática semelhante
à Juliana do Primo Basílio. De alguma forma ela é uma sobrevivente, uma mulher
que luta para se manter e dar melhor condições de vida para seus filhos - apesar de
todo o seu lado religioso e de amor ao dinheiro.
Depois da celebrada retomada do cinema brasileiro
você trabalhou em Jenipapo e agora em Tieta. Você gostaria de ter feito mais filmes do que fez?
Eu fui muito pouco convidada para fazer cinema.
Na minha juventude, não fui chamada para fazer cinema. Não tinha relação com
as pessoas do cinema novo, talvez por que elas achassem que eu não tinha um
tipo certo para fazer cinema. Além de ser pouco convidada, ganha-se muito pouco
para fazer cinema. Então é preciso procurar outros meios, outros veículos, como a
Tv e o teatro para sobreviver. Só depois do prêmio internacional com o Pixote, passei
a ser mais convidada, mesmo assim, nem tanto.
E você gosta de fazer cinema, de interpretar para a câmera?
Gosto muito. O que não gosto, seja no cinema ou na tv,
é de esperar, porque esperar, principalmente em situações de desconforto, me deixa
um pouco irritada. Outra coisa que acho terrível é a falta de controle que o ator tem
sobre o resultado final - tudo no cinema está nas mãos do diretor. Quanto a trabalhar
em ordem cronológica ou não, é uma questão de organizar a emoção tecnicamente,
não tem problemas. Como diretora, procuro entender o trabalho como um todo, mas o
ator, na verdade, não tem nenhuma autoridade sobre o resultado final.
E como a Perpétua que você interpretou viu Tieta?
Perpétua é loucamente apaixonada por Tieta. Ela queria
ser a Tieta, tem o mesmo fogo sexual, e morre de inveja porque Tieta consegue
colocar esse fogo para fora. Quando Tieta vai embora, o mundo de Perpétua acaba,
apesar de recriminar tanto a irmã. Na época da filmagem eu estava lendo sobre
espiritismo e reencarnação, e botei na cabeça que em uma outra encarnação
Perpétua foi um homem apaixonado por Tieta, ou foi uma uma mulher apaixonada
por Tieta que foi um homem, qualquer coisa nesse sentido. Na verdade, Perpétua é
louca de paixão por Tieta.

| 1969 |
O donzelo |
| 1970 |
O homem que comprou o mundo |
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É Simonal |
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| 1975 |
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O grande desbum |
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Pixote |
| 1982 |
Bar Esperança, o último que fecha |
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Jenipapo |
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