Title: Chico Anysio
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"Minha filha! Pensei que não ia mais te ver mas Deus quis me dar essa consolação antes da morte"

Tieta do Agreste, Jorge Amado
Chico Anysio , um dos maiores nomes do humorismo brasileiro, criador de uma galeria impagável de personagens na televisão, não tem, curiosamente, uma ativa participação no cinema. Seu último filme, O doce esporte do sexo, data de 1971. Escreveu 18 chanchadas e participou de "quatro ou cinco". Depois de 25 anos longe das telas, ele volta em Tieta do Agreste como Zé Esteves, o rude e severo pai de Tieta, que a expulsa de casa quando tinha 17 anos a golpes de cajado. Esta volta ao cinema é festejada por Chico Anysio que afirma: "Se fosse possível viver de cinema no Brasil eu não faria outra coisa".
Para Chico Anysio, interpretar Zé Esteves foi um desafio enfrentado com enorme prazer: "É um personagem que me deu direito de usar a voz em todo o seu registro, e não apenas uma voz só, como faço com cada personagem de TV. No cinema, a representação é o mais sutil que na Tv, exigindo uma consciência muito maior do ator". Chico Anysio enfatiza que sua interpretação "não tem nada a ver com meus personagens na Tv". E só lamenta que Zé Esteves não tenha um papel maior: "Foi difícil matá-lo, mas a cena saiu na segunda"
Assegurando que Tieta é muito mais fiel ao livro de Jorge Amado do que a novela, Chico Anysio define seu personagem como "um coronel nordestino típico, que não dá a menor importância para mulher". E define Tieta como "uma mulher a mais que fez esse tipo de vida": "Existem muitas Tietas pelo Rio e por São Paulo, que saem de casa, se prostitutem e ficam ricas. A riqueza ajuda a obter o perdão, é uma coisa compreensível." Para Chico Anysio, "a generosidade de Tieta é uma forma de limpar a consciência - como o pai que não liga para o filho e o enche de presentes". E conclui: "Apesar de tudo, Tieta era a filha preferida de Zé Esteves, que era apaixonado por ela. Disso não tenho a menor dúvida".


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