Título: Edgar Moura
Edgar Moura
Com 30 longa-metragens no currículo, Edgar Moura é um dos mais talentosos fotógrafos do país. Ele partiu para a filmagem de Tieta do Agreste com uma orientação bem clara do diretor Carlos Diegues, com quem já tinha trabalho em Um trem para as estrelas: "Cacá me disse que queria que o filme fosse antes de tudo bem brasileiro, que tivesse as cores da Bahia e fosse super-tropical, super-vivo. Ele me disse para não ser tímido, e para captar uma imagem com as cores e os sentimentos de um lugar tropical e quente. Para se ter idéia dessa concepção, o filme não tem um branco", explica Edgar.
Essa indicação foi precedida de um minucioso trabalho de detalhamento de cada tomada. Com sua experiência de desenhista (foi chargista de O Pasquim no final dos anos 70), Edgar Moura desenhou um story-board dirigido por Carlos Diegues e com a colaboração de outros membros chaves da equipe técnica, definindo a posição e os movimentos de câmera, estivesse ela no chão ou a bordo de um helicóptero, assim como todos os enquadramentos. "Cada plano foi desenhado e predeterminado. Quando começamos a filmar, já estava tudo na nossa cabeça", lembra Edgar.
A dimensão do projeto, afirma Edgar Moura, não permitia improvisações: "Como a produção envolvia muita gente, tudo foi planejado para não deixar os atores principais esperando. A maquete criada pela Lia Renha permitiu um estudo preliminar das locações e todas as seqüências foram estudadas em seus detalhes. O filme teve uma preparação enorme, e foi praticamente todo desenhado, o que foi muito importante na hora da filmagem", explica Edgar Moura.
Quanto a fotografar Sonia Braga, conhecida por ser um "fenômeno de fotogenia", Edgar Moura disse que não teve nenhum problema: "Minha orientação era apenas de filmá-la bem bonita, o que não é nada difícil. Sonia Braga está perfeitamente adequada ao papel: uma mulher vivida e sensual.
Edgar Moura estreou como fotógrafo no filme A queda, de Ruy Guerra, em 1976. Desde então foi diretor de fotografia de 30 longas, entre eles, A bela Palomera e Kuarup, também de Ruy Guerra, Se segura malandro e Bar Esperança, de Hugo Carvana; Gaijin, Parahyba mulher macho e Patriamada, de Tizuka Yamasaki, Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho e A hora da estrela, de Suzana Amaral. Com experiência internacional, filmou Piege, de Jorge Marcos, na França, e Sinais de fogo, de Luis Filipe Rocha em Portugal. Depois de Tieta do Agreste, foi para Cabo Verde onde fotografou O testamento do Sr. Napomuceno da Silva Araújo, dirigido por Francisco Manso, e primeiro filme oficial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Na Tv, foi diretor de fotografia das minisséries Lucíola, Anos Rebeldes, Marina A.E.I.O. Urca e O primio Basílio.


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