A trilha sonora criada por
Caetano Veloso para Tieta do Agreste
atendeu inteiramente às expectativas de Carlos Diegues de criar
um filme rapsódico, não só no sentido de uma coisa que leva à
outra mas também no sentido musical. Além da trilha sonora e de
vário temas orquestrais - muitos de inspiração na música da região -
Caetano Veloso, em sua primeira parceria com Cacá Diegues, criou
sete músicas para o filme: O motor da luz, interpretada por Gal Costa,
Miragem de carnaval (Zezé Motta e Caetano Veloso), Venha cá (Gal Costa),
Coração pensamento (Caetano Veloso), Coraçãozinho (Gal Costa e Flora Diegues),
Vento (Gal Costa) e A luz de Tieta (Gal Costa e Caetano Veloso).
Já no roteiro
Carlos Diegues elaborou a concepção musical de Tieta, e durante as filmagens, predeterminava que seqüências
ganhariam canções na edição. O principal partido da trilha de Caetano Veloso foi uma junção do Didá - o grupo
feminino do Olodum - com arranjos de cordas criados por Jaques Morelenbaum. Em Tieta do Agreste, Caetano
realiza seu trabalho mais amplo e mais completo de trilha sonora, pois criou cerca de duas horas de música - incluindo
as canções - que acompanham o filme em um espírito de grande integração com as imagens e os personagens.
Autor também
da elogiada música de O Quatrilho, de Fábio Barreto, Caetano Veloso tem uma antiga ligação com o cinema. Nos anos
60, ainda na Bahia, escrevia críticas de cinema. Em 1963, criou sua primeira trilha para o curta Moleques de rua, de
Álvaro Guimarães. Em 1967, foi a vez de Proezas de Satanás na terra do leva e traz, do diretor baiano Paulo Gil Soares.
Fez também a trilha para São Bernardo, de Leon Hirszman (1972). Para A dama do lotação (1975), de Neville de Almeida
e com Sonia Braga, criou Pecado original e para Índia, a filha do sol (1981), seu primeiro encontro com Fábio Barreto, fez
Luz do sol, um de seus grandes sucessos.
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