Nascido em Natal
(Rio Grande do Norte), Leon Góes, 30 anos, é basicamente um ator de teatro - e um dos mais
talentosos de sua geração. Parceiro principal do irmão, o inovador diretor Moacyr Góes, Leon
foi premiado com o Mambembe de Ator Revelação por Baal, em 1988, e com o Molière, por
Escola de Bufões (1990). Atuou também nas peças Livro de Jó, Fausto, Romeu e Julieta,
Gigante da montanha, Epifanias, Trilogia Tebana, entre outras.
Foi com Cacá Diegues
que Leon Góes estreou no cinema no papel do guarda rodoviário no episódio Pisada de elefante, de Veja esta canção. Em
Tieta, Leon Góes interpreta Ascânio, o mocinho da cidade, secretário da Prefeitura que quer levar luz elétrica a
Sant'Ana do Agreste e ver a cidade prosperar. Seus planos, no entanto, são abalados pela chegada de Leonora
(Cláudia Abreu), a bela e sofrida enteada de Tieta/ Sonia Braga.
"Leon assegura que
não pensava em fazer cinema, que lhe parecia "um sonho distante". Mas adorou as duas experiências - apesar de
ainda achar estranho interpretar para a câmara: "Por inexperiência, nem ligo para a câmera - vou fazendo - mas
sinto falta do processo de ensaio, sobretudo pela questão da continuidade." O ator diz que ter começado a fazer
cinema com Carlos Diegues equivale a estrear na pole position: "Cacá dirige com muita clareza. Confio plenamente
nele, mas, quanto a mim, tenho todas as dúvidas do mundo".
Filmar Tieta foi para
Leon "um dos momentos mais felizes da vida, um aprendizado que lhe ajudou muito no teatro". Ele compara os dois meios:
"No cinema, a transmissão da emoção fica mais na impressão, enquanto no teatro está na expressão - e trabalhar essas
diferenças é um grande exercício para um ator". E revela que aspectos quis enfatizar em Ascânio: "Ele é um cara bom
que se complica em um determinado momento mas com as melhores intenções. Tentei trabalhar a sua timidez. Ele desloca
sua ambição para a cidade e não para o próprio ego. É daquelas pessoas que ainda têm um projeto coletivo". Ascânio, segundo
Leon, vê Tieta com muito respeito e admiração: "Ela saiu da cidade em uma situação de desvantagem, foi para a vida e voltou
reconhecida. Talvez ele também quisesse ter um pouco dessa coragem". Quanto à Leonora, o ator é taxativo: "Foi ela quem
abriu o mundo para Ascânio. Leonora representa a vitória da paixão. Ainda bem que o filme tem um final feliz, diferente do livro .
Eu, particularmente, fiquei muito feliz com esse final - Ascânio e Leonora mereciam".
Recentemente
Leon Góes estreou na tv em um episódio de A vida como ela é, dirigido por Daniel Filho. Sua última peça foi Gregório,
inspirada na saga do líder comunista Gregório Bezerra.
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